Resolvi hoje me dar o direito de ficar em off por algum tempo. Qdo falo
ficar em off, é sair de cena, é fechar a cortina, é sentir todas as
sensações de tristezas que me cabem nesse momento que estou vivenciando.
Não
é uma questão de ser fraca, apenas uma opção de não compartilhar a dor
sentida nesses últimos tempo, por diversos motivos. Sinto-me incapaz,
com medos, receios, decepcionada, magoada, mal amada, má interpretada...
É
uma sensação de impotência incrível! Tenho a sensação de que tudo que
faço dar errado e nasci para não ser feliz, pois fazendo um balanço da
minha vida, vejo que o saldo é altamente negativo. Culpa minha? Claro
que sim. Colhemos o que plantamos. Dei vôos altos, não me preocupei com
as consequências, paguei pra ver e confesso que não estou conseguindo
segurar o tranco.
Incrédula? Sim! Culpando Deus? Jamais! Existe o
livre arbítrio. Deus quer me ver feliz e não esse caco humano em que me
transformei. Nada dramático, mas infelizmente é isso que me tornei e sei
que mais cedo ou mais tarde vou cair de vez, sacudir a toalha e
escolher talvez o caminho mais difícil e covarde. Falo difícil porque
sei que sair de cena com 03 filhos nas costas não é uma tarefa fácil,
mas atualmente pra mim é o que mais me cabe no momento.
Estou sem
chão, sem objetivos, decepcionada com as pessoas. Há mais de um ano
atrás, me vi cercada de pessoas chorando ao pé do meu leito, fazendo
juras de amor, cumplicidade, e o pior, me enxergando de fato como uma
pessoa que estava doente. Só que ao sair daquele quadro crítico, todas
àquelas pessoas esqueceram que curei o choque séptico, a sara, mas a
minha alma, mente e até mesmo a parte física ainda se encontra MUITO
doente. Quiseram livrar-me da morte, mas a pior morte é aquela enquanto
estamos vivas. Só não morri de fato, mas o meu corpo padeceu desde
sempre e nada nem ninguém será capaz de fazer-me crer que a felicidade
ainda baterá à minha porta. Nada nem ninguém me fará acreditar naquelas
frases feitas de que ''tudo passa'', fecha-se uma porta, ''abre-se uma
janela''... E por ai vai.
Permitam-me fechar a cortina da peça da
minha vida. Não quero mais. Permitam-me!!! Não estou desequilibrada,
revoltada, apenas CANSADA!
Saio de cena para tentar encontrar PAZ e se conseguir, garanto trilhar para todos os caminhos que percorri para alcança-la.
Marília Ramos
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